terça-feira, 14 de junho de 2016

Motivos para libertários não tolerarem a esquerda

Ainda que no contexto brasileiro os libertários, de modo geral, repudiem a agenda progressista, e mesmo que deixem isso exageradamente explícito, existe uma minoria no meio libertário que apoia ou, pelo menos, que age de forma condescendente com a esquerda. Esta minoria, os chamados "left-libs", são normalmente muito criticados, rechaçados e até excluídos pelos outros libertários, inclusive por mim.


Mas hoje, com este texto, o que quero não é atacá-los, até porque já o fiz outras vezes. Quero somente expor alguns fatos para que deixem de ser o que são. Claro que uma iniciativa como essa é direcionada aos left-libs bem intencionados. Àqueles que estão nessa apenas para gerar desinformação eu ainda declaro guerra.

Vamos aos pontos.

Ação e discurso.

Muitos libertários são simplesmente ingênuos em confundir aquilo que os progressistas dizem sobre si mesmos e aquilo o que realmente são. Isso ocorre até mesmo entre os que atacam a esquerda, mas é ainda mais comum entre estes que a apoiam. A defesa da "diversidade", pauta que é comum entre libertários e progressistas, é um bom exemplo disso. O que diferencia é a prática, pois os libertários defendem, de verdade, qualquer tipo de liberdade sem dano a terceiros, enquanto a esquerda, no discurso, cobra privilégios a uns em detrimento de outros e, na prática, toma ações que diretamente prejudicam estas mesmas pessoas que diz defender.

A "igualdade", pauta que virou sinônimo de luta contra a pobreza, vem sendo também aceita por estes libertários que dizem se preocupar com os pobres. O problema é que a esquerda não liga para os pobres de verdade, ela apenas os usa com a finalidade de vencer eleição através do populismo. Todas as medidas que a esquerda defende, de cabo a rabo, servem apenas para aumentar a pobreza e a estado-dependência.

O "pacifismo", por exemplo, é uma das bandeiras que a esquerda usa para fingir que é contra a violência e contra as guerras, o que já está mais do que provado ser uma mentira. As lutas contra o racismo, o feminismo, entre outras coisas, são simplesmente engôdos que os progressistas usam, fingindo que são suas pautas legítimas e causas nobres, mas tudo isso serve apenas de trampolim para o que é o real objetivo destes grupos: o poder através de um Estado aparelhado e gigante.

Visto isso, é totalmente válido afirmar que o discurso da esquerda tem como base o roubo e a desvirtuação de pautas originalmente libertárias, enquanto sua finalidade prática é o roubo e a desvirtuação da própria sociedade. Não há nada de boas intenções aí.

Diferenças essenciais.

Uma das bandeiras que a esquerda vem usando é a legalização das drogas. Outra bandeira também defendida por ela é o direito ao casamento civil para os homossexuais. Estes libertários, por falta de atenção aos detalhes, acreditam que também lhes seja lícito não atacar a esquerda nesses pontos. Mas a verdade é que estas bandeiras não são legitimamente libertárias, são apenas ideias libertárias usurpadas e distorcidas para atenderem aos interesses da esquerda.

O que a esquerda quer é que o Estado controle esses setores, preferencialmente em forma de monopólio. Os libertários querem apenas a ausência do governo quanto a esses assuntos. Sobretudo quanto ao casamento, nunca houve necessidade da intromissão governamental. A união amorosa entre dois adultos pode ocorrer formalmente através de contratos privados ou de um "acordo" religioso, ou pode simplesmente ocorrer de maneira informal. Isso vale para qualquer união, inclusive a homo afetiva. Se uma religião só aceita casamente heterossexual, cabe aos homossexuais que queiram se casar procurarem um cartório e registrar sua união ou então outra igreja que os aceite como são. O governo simplesmente não tem nada a ver com isso.

Do ponto de vista libertário não existe justificativa para discordar disso.

Conivência e apoio a criminosos.

Em pequenos e grandes casos, a esquerda progressista apoia bandidos, e geralmente o faz por motivações políticas. A defesa dos "Direitos Humanos" tem sido há muito tempo um bom modo de ganhar votos e, ao mesmo tempo, incentivar a prática de pequenos delitos, sempre com foco bem direcionado. Uma vez que delinquentes são apoiados e não punidos, no médio prazo a esquerda os usa em forma de militância, ou então ela se aproveita de suas mazelas para fazer propaganda ideológica. Somando isso com o total desprezo pelas vítimas dos criminosos, percebe-se facilmente que "Direitos Humanos" é algum tipo de privilégio exclusivo a quem comete erros e atrocidades.

Há também o fato de que muitos deles lucram, literal e financeiramente, com esse estado de guerra urbana. São muitas ONGs, muitos escritórios de advocacia, muitos políticos e até partidos ganhando com isso. Vale notar que parte dessa violência urbana também só existe por causa de outras medidas progressistas tomadas no passado. Será que foi mesmo acidental, fruto de uma ingenuidade bem intencionada? Duvido.

Liberdades civis.

Já vi e ouvi, de diversas pessoas, que a direita defende liberdade econômica enquanto a esquerda defende liberdade civil. Ambas são afirmações erradas. Nem toda a direita é pró liberdade econômica. Os nacionalistas e os neoconservadores (Enéas Carneiro, Olavo de Carvalho, etc) são inimigos declarados do livre mercado. E a esquerda, de modo geral, só defende a liberdade dela mesma. E também não existe uma linha mágica que separe liberdades civis e econômicas, pois muitas coisas para serem feitas envolvem ambas as coisas. A liberação das drogas, por exemplo, tem muito mais a ver com liberdade econômica, mas a direta é em sua maioria contra, a despeito do fato de que as drogas movimentam uma enorme parcela da economia mundial.

De qualquer forma, que tipo de liberdade civil é essa em que não se pode ter uma arma? E como podemos chamar de liberdade uma lei que proíbe pessoas de fumarem em estabelecimentos privados, ou a lei que proíbe os restaurantes de colocarem um saleiro sobre as mesas? Que tipo de liberdade civil é essa que quer "democratizar" - leia-se controlar - a imprensa e a internet, com o claro intuito de policiar opiniões? Todas estas bandeiras foram e ainda são defendidas, senão até mesmo criadas pela esquerda progressista. Sem nenhuma exceção.

A verdade é que se dependesse dos progressistas nós viveríamos vigiados como em "1984", de George Orwell, e existiriam até fiscais dos movimentos sociais patrulhando as ruas. Para cada vez que morresse um "membro" de alguma dessas "minorias", mesmo que por acidente, dez homens brancos e católicos seriam fuzilados como forma de cobrar a dívida histórica.

Progressistas são avessos à liberdade!


Apoio a ditaduras e partidos nefastos.

Este é um ponto óbvio. A esquerda discursa em prol da democracia, mas age pela ditadura. Enquanto defendem partidos e governos que, de modo bastante claro, atentaram ou ainda atentam contra a humanidade, contra a civilidade e contra a tolerância, eles assinam o atestado de que rejeitam os mais básicos princípios da ética. Defender "direitos humanos" fazendo vista grossa para os crimes de Fidel Castro, ou então discursar em defesa da causa LGBT enquanto defende Nicolás Maduro, são provas cabais de canalhice.

Mais uma vez, não há nada de boas intenções aí.

Inimizade declarada.

A esquerda age como nossa inimiga, pensa como nossa inimiga e, acima de tudo, ela nos vê como seus inimigos.

Muitos libertários destes citados, por serem bem intencionados, acreditam que aproximar-se ao discurso de esquerda poderá trazê-los para o nosso lado. Novamente, o equívoco é acreditar que o discurso da esquerda seja de boa-fé. Na prática, o que geralmente vejo ocorrer é que os libertários que fazem isso são usados pela esquerda em defesa dos discursos que beneficiam a ela. Nesse contexto é mais fácil que libertários se convertam ao esquerdismo do que o seu contrário.

Intransigência.

Progressistas são boçais totalmente intransigentes com os nossos posicionamentos, ou com qualquer coisa que destoe do que eles defendem. Por isso, é ilusão acreditar em diálogos e acordos. Quando progressistas são contrariados eles não conversam, apenas batem o pé, gritam ou tentam de algum modo burlar as regras para se dar bem. Quando debatemos, eles não ouvem nossas ideias, ficam apenas tentando encontrar qualquer coisa em nossa fala que possa servir para nos rotular pejorativamente.

Para a esquerda conseguir o que quer, não importam os meios usados. Por isso é que intencionalmente monopolizam as virtudes e nos demonizam por não concordarmos com isso.

Coletivismo.

Caso você não esteja devidamente convencido de que a esquerda é mal intencionada, ainda resta uma coisa a se abordar.

Supondo que os discursos dos canhotos representem aquilo em que acreditam, o fato é que eles ainda são coletivistas. O coletivismo é, resumidamente, o completo ou parcial esmagamento da liberdade individual, perpetuado através de mecanismos destrutivos. Literalmente, sacrifica-se a liberdade em troca daquilo que algum burocrata considera o "bem comum", tão subjetivo que pode significar absolutamente qualquer coisa.

Isso não é nada libertário.

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